
Numa recente reportagem veiculada pelo telejornal Hoje, da Rede Globo, foi focalizada a péssima relação da população brasileira com os idosos.
A reportagem mostra que, apesar da existência de leis que garantem certos privilégios aos idosos, elas não são cumpridas.
Hoje mais de 11% da população brasileira tem mais de 60 anos, e a tendência é de que esse percentual cresça cada vez mais, pois a expectativa de vida em nosso país já é de 73 anos.
Mas o que se observa é que a população jovem, ativa, não está preparada para se relacionar com os seus idosos e nem os idosos estão preparados para lidar com ela.
O idoso do hoje, acima de 60 anos de idade, pertence a mesma geração que na década de sessenta promoveu, ou foi testemunha ocular, das grandes transformações sociais do mundo.
Por outro lado a população hoje ativa, durante essa década, estava nascendo.
A relação dos então jovens dos anos sessenta com os idosos daquela época, ainda obedecia aos mesmos padrões de seus antecedentes. Ainda se pedia a benção e o tratamento era o de “senhor” e “senhora”. A idade era hierarquicamente respeitada. Mas eram poucos os idosos nas famílias. As pessoas dificilmente ultrapassavam os 50 anos. Por conseqüência a população idosa da época era bem menor. E também menores os problemas
A geração ativa dos anos sessenta apesar de ter promovido grandes e benéficas transformações sociais, não soube, ou não quis, transmitir para a geração subseqüente o respeito aos mais velhos.
E o que se observa é que os idosos de hoje querem ser tratados como tratavam os seus velhos no passado.
Por outro lado a atual população jovem cresceu vendo os atuais idosos vivendo e participando de todas as atividades sociais, junto com eles.
O idoso de hoje foi aquele que teve a coragem de tomar decisões buscando sua felicidade e procurou induzir os seus descendentes para que eles lutassem também pela própria felicidade
Assim a população ativa de hoje foi educada pela população hoje idosa, para ser independente. Cuidar da sua própria vida.
E para desespero dos idosos de hoje a lição foi aprendida.
Antigamente os velhos eram realmente velhos, inativos e dependentes dos cuidados dos mais jovens.
Hoje é comum, e dizem até ser saudável, aposentado por idade continuar trabalhando, ocupando vagas que poderiam ser ocupadas pela população ativa.
Agora o que não se sabe é se essa relação vai melhorar.
Tudo vai depender de como a geração futura está sendo preparada para lidar com os jovens de hoje, idosos de amanhã.
Foi assim que a sociedade européia, bem mais velha do que a nossa, aprendeu...